As armadilhas – Por Rute Albuquerque

E então piscamos ambos os olhos e o calendário já me diz que estamos em fevereiro. Armadilha do tempo, que nos faz acreditar que ele é muito. Não. Não é. Operadoras de telefonia que te ligam inúmeras vezes, e oferecem os serviços que te levarão ao céu….exceto preparar o jantar. Armadilhas da tecnologia, que nos inebriam e nos fazem pensar que simples tarefas domésticas podem ser clicadas. Não. Não  são. Continuam a nos exigir tempo e disposição.

Contas que não são mais enviadas por correio, em papel. Nós, aprendizes da  sustentabilidade, acreditamos e até comemoramos. Afinal, o papel vem da árvore, e ainda se torna caro recicla-lo. Mas acabo de descobrir que tal prática pode ocultar o que, de fato, estamos pagando. Aconteceu comigo. Durante os doze meses do ano fui automatizando muitas das ações, porque caí na armadilha da otimização e nem ler eu lia mais o extrato das contas. Agora em janeiro é que me dei conta de estar pagando, na conta telefônica, serviços que nunca solicitei e nunca usei. Dediquei bons 40 minutos, pendurada num telefone, oscilando entre músicas e o excelente atendimento da atendente, e chego a conclusão de que caí mas levantei de outra armadilha. E se o trocadilho “me dar conta” nos ajuda a gerenciar as contas de uma casa, eis que a armadilha do reajuste ou aumento salarial se concretiza, mais uma vez.

Desisti de fazer militância virtual, e vou me despedindo do face, porque caras com cheiro são mais autênticas. Acostumei-me a enfeitar esta coluna com muitas perguntas, das que eu mesma me faço, e nem sempre consigo as respostas. E então eu lanço algumas: por que nos permitimos cair em armadilhas? Por que desprezamos o tempo, como se fosse ele descartável, ou de uso único? Por que retiramos o tempo do simples, e não sabemos qual é o complexo? O fato é que estamos iniciando um novo ano letivo. Uma das etapas mais dignificantes e cheia de oportunidades! Mas ser estudante não é, apenas, ir para a escola. É muito mais do que isto. O movimento físico, quer seja feito por passos caminhados, ou quilômetros rodados, é um, dos muitos que serão necessários. Estudar e se tornar um estudante é um compromisso individual, mas exige, sobretudo, movimento interior, que sai do cérebro,  passa pelo coração e por cada célula que contribui com a nossa vida.

Quando, recentemente, tivemos casos de câncer na família, fomos nos “dar conta” de que nunca tínhamos estudado sobre a importância da tireóide nas nossas vidas. Quando uma cidade inteira é soterrada por uma lama, nos lembramos que nem sequer temos luvas descartáveis no porta-luvas do carro. Aliás, porta-luvas quando apenas em filmes os motoristas as usavam….. E ainda assim as escolas nos esperam, nos aguardam. Não caiamos nas armadilhas, outras e tantas….a escola serve para nos empoderar. Intelectualmente. E mentes empoderadas podem se fazer mais fortes diante de armadilhas! Compartilho uma imagem:

Comments

  • Suzi Aguiar

    fevereiro 16, 2019

    E eu caí na armadilha de ler o primeiro parágrafo, até que me dei conta que os meus olhos não desgrudaram da telinha na palma da mão, até o final desta deliciosa crônica…

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  • Fernanda

    fevereiro 16, 2019

    Texto fantástico, me despertou muitas coisas. Obrigada 🙏

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