Até onde você “dá conta” das suas emoções?

Por Fernanda Zanon – psicóloga

Muitas pessoas possuem uma saúde de ferro e não é qualquer mudança de clima que os resfriam, mas basta uma briga com algum familiar ou amigo para ter ataques de asma, crises de enxaqueca, dores de estômago e noites de insônia. É possível que esteja na hora de acrescentar mais um item à sua lista de hábitos saudáveis: O cuidado com seu estado emocional.

Cada vez mais a ciência admite que fatores emocionais estão relacionados ao surgimento de doenças, quando você passa a não conseguir lidar com seus sentimentos, o corpo acaba adoecendo. Essas doenças são conhecidas como doenças psicossomáticas, aquelas que se manifestam fisicamente, mas para as quais os médicos não encontram uma explicação fisiológica para fundamentar.

Hoje sabe-se que a genética e o ambiente exercem uma influência imensa (provavelmente majoritária no desenvolvimento de boa parte das enfermidades) mas não se pode desprezar o fato de que vários sistemas dos organismos estão conectados. Coração, pulmão, estômago e glândulas são comandados por nervos ligados ao sistema nervoso central.

Com isso, se alguma coisa não vai bem no emocional, o resto do corpo também paga o preço. Se uma pessoa está abalada pela perda de um parente, por exemplo, seu sistema nervoso não envia as mensagens certas à defesa do organismo quando ele é atacado por um vírus. Assim, a imunidade baixa e a pessoa adoece.

Inúmeras pesquisas comprovam a relação do corpo com a mente. Uma das mais significativas, feita pela Universidade do Kansas, nos EUA, comprovou que as emoções positivas são fundamentais para a saúde física das pessoas.

Nesta pesquisa 150 mil adultos de regiões diferentes responderam questionários sobre emoções como felicidade, preocupação e tristeza, e então descreveram seus problemas de saúde. A conclusão é que os fatores emocionais são tão importantes quanto alimentação ou condições de higiene para manter a saúde.

A esta pesquisa, somam-se outras com questões pontuais como pacientes com acne, dermatite, urticária e psoríase. Cerca de 20% foram diagnosticados com transtorno de humor, 16% com desordens de ansiedade e 48% se encaixaram em doenças psicossomáticas.

Nem todo mundo que briga com um familiar, amigo ou chefe ou passa por um processo de separação fica doente. Depende dos recursos psicológicos que a pessoa desenvolveu ao longo da vida para lidar com as situações. Geralmente quem é capaz de se posicionar e estabelecer limites quando se sente injustiçado sofre menos com doenças psicossomáticas.

É importante ter clareza sobre esses aspectos, pois na nossa sociedade existe uma supervalorização dos sintomas físicos, o que não acontece com os sintomas emocionais. Por exemplo: Se a criança não quer ir à escola, é logo tachada de preguiçosa. Mas se diz que está com dor de cabeça, pode ficar em casa. E cresce acreditando que deve ser assim.

Ainda não existe uma pílula que cure doenças psicossomáticas. O que um bom médico faz é identificar um paciente que sofra com elas e tratar o sintoma para aliviar o sofrimento e indicar a terapia para tratar a causa.

Os maiores reflexos das doenças psicossomáticas são: dor no peito, fadiga, tontura, dor de cabeça, inchaço, dor nas costas, falta de ar, insônia, dor abdominal e apatia. O estresse desequilibra hormônios e ativação da imunidade podendo causar: asma, dores, deficiências imunológicas, problemas de pele e problemas gástricos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a maioria das pessoas acometidas por essas doenças são mulheres deprimidas. Se você é daquelas pessoas que tem dificuldade em verbalizar o que sente e engole sentimentos até que eles comecem a queimar o estômago ou outra parte do corpo, procure ajuda profissional para que não evolua para uma doença psicossomática ou algo mais sério.

Como diz um ditado bem antigo “Quando a cabeça não ajuda, o corpo padece”.

Fernanda Zanon

Psicoterapia Clínica

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